A distância de um ano e da minha vida anterior parecem ser enormes. Abracei a aventura do matrimónio e da paternidade e mudei-me para um país longe da minha terra. Os poucos leitores que tinha já provavelmente deambularam para outras paragens electrónicas, tal é a velocidade a que as coisas evoluíram nestes últimos 8 anos em que este blog existe. Bolas, comecei a escrever um ano antes do Facebook ter existido. Isto em "anos digitais" é muita fruta...
A este ritmo nunca hei-de escrever um livro, mas já plantei a árvore e tive um filho. Um filho e uma filha também a caminho.
Não podia estar mais longe de onde comecei. Nem mais longe do que tinha imaginado.
Acho que nos está no sangue, de sermos Portugueses e não conseguirmos ficar quietos. Esta vontade de sair, o país pequeno demais para tanto sonho, para tanta saudade. Faço parte da nova geração de emigrantes. Daqueles para quem o país se tornou demasiado pequeno e que decidiram arriscar. Encaixotei a minha vida, deixei amigos e família para trás e vim parar a mais de 3.000 Km de distância num país de língua estranha, mas de hábitos semelhantes.
A solidão por vezes é avassaladora, os dias muito curtos e a falta de luz no Inverno podem se tornar claustrofóbicos. Não perceber uma palavra do que por vezes me dizem, coloca-me no mesmo patamar do meu filho que tem um ano. Mas o desafio, as possibilidades imensas, e o carinho e apoio de uma nova família, muito mais compreensiva e unida ajudam a uma integração nem sempre é fácil.
A primavera começa a despontar nas árvores e nos jardins que rodeiam a minha nova cidade. Voltar a ter 4 estações num ano é de certa forma bastante agradável. Um novo ciclo renova-se, e em Varsóvia reinvento-me com aquilo que sempre fez parte de mim.





