Segunda-feira, Abril 18, 2011

A distância de um ano

O nome ocasional foi mal escolhido. Deveria ter sido o raro, tão esparsas são as vezes que escrevo.
A distância de um ano e da minha vida anterior parecem ser enormes. Abracei a aventura do matrimónio e da paternidade e mudei-me para um país longe da minha terra. Os poucos leitores que tinha já provavelmente deambularam para outras paragens electrónicas, tal é a velocidade a que as coisas evoluíram nestes últimos 8 anos em que este blog existe. Bolas, comecei a escrever um ano antes do Facebook ter existido. Isto em "anos digitais" é muita fruta...
A este ritmo nunca hei-de escrever um livro, mas já plantei a árvore e tive um filho. Um filho e uma filha também a caminho.
Não podia estar mais longe de onde comecei. Nem mais longe do que tinha imaginado.
Acho que nos está no sangue, de sermos Portugueses e não conseguirmos ficar quietos. Esta vontade de sair, o país pequeno demais para tanto sonho, para tanta saudade. Faço parte da nova geração de emigrantes. Daqueles para quem o país se tornou demasiado pequeno e que decidiram arriscar. Encaixotei a minha vida, deixei amigos e família para trás e vim parar a mais de 3.000 Km de distância num país de língua estranha, mas de hábitos semelhantes.
A solidão por vezes é avassaladora, os dias muito curtos e a falta de luz no Inverno podem se tornar claustrofóbicos. Não perceber uma palavra do que por vezes me dizem, coloca-me no mesmo patamar do meu filho que tem um ano. Mas o desafio, as possibilidades imensas, e o carinho e apoio de uma nova família, muito mais compreensiva e unida ajudam a uma integração nem sempre é fácil.

A primavera começa a despontar nas árvores e nos jardins que rodeiam a minha nova cidade. Voltar a ter 4 estações num ano é de certa forma bastante agradável. Um novo ciclo renova-se, e em Varsóvia reinvento-me com aquilo que sempre fez parte de mim.

Segunda-feira, Janeiro 18, 2010

Transformação

De partida, arrumou parte da vida nuns caixotes, fechou portas e janelas, saiu sem olhar para trás.
Já no aeroporto, apagou o telefone dela e embarcou para uma nova vida. A história triste estava finalmente acabada.


- P


Domingo, Setembro 28, 2008

Cais do Tejo

Sublinho o que posso dizer
Nas breves dos jornais
Anónimo ser como escrevo
Mais tarde que cedo espero encontrar
Ao fim do cabo uma linha que seduz os mortais

Troco de passo e enrolo
flutuo na tua mão como bola de cristal
Prevê condensa o futuro
Esconde no fundo de um muro
Gravita entra e sai

Murmuro longe num fumo
Mergulho fundo no Mundo (fundo)
Sinto as pernas nos estendais que balançam
Não segura. a bola cai

És sono roubado ao altar dos desejos
Queda sem rede é assim que me vejo
Aparo de ponta ao desvio de uma linha
Não olho para o ar que sufoca na porta
da luz antes de entrares

É perfeita a noção do silêncio
Sempre que estreita eu não tento
provar o que é desejo de um beijo
Preso no cimo do tejo nado para o cais

A sul não sinto os pés que resvalam
Da porta da rua as cartas perdem o norte
Bato os pés antes de voltar a olhar-te
Mas encontrei a força nem sinto a voz tão rouca
Aponto e faço a conta nem sempre de somar
PTiago

Segunda-feira, Abril 07, 2008

London steps


Muitas vezes os passos confundem-se. Aquele caminho já tinha sido percorrido antes, aquelas pedras pisadas biliões de vezes desde a última vez. Mas por vezes os passos confundem-se. Por vezes a sensação de que o tempo não existe chega a ser palpável, consistente quase ao ponto de sufocar.
Londres está diferente. E não foram as paredes que mudaram, ou as pontes que cresceram, ou o tube que aumentou. Está diferente. Mudou de alma. Não a consegui ver como há uns anos atrás.. perdeu algum do brilho que teve. Ou terei eu mudado a forma como a vi?
Os passos estavam lá, nas mesmas ruas, na mesma espiral de movimento incessante...
mas quando voltei ... pareceram-me fugir debaixo dos pés...

Segunda-feira, Março 03, 2008

(...)



















Um suspiro profundo. Apenas um momento. Em baixo um infinito que mergulha no mar. Ao longe uma imensidão de verde a perder de vista. A dividir ambos uma frágil cerca. De madeira comida, cumprindo debilmente a sua triste função... separar infinito e imensidão...

Terça-feira, Fevereiro 26, 2008

Terra de fogo




Uma pausa...


Furnas, S. Miguel, Açores

Sábado, Fevereiro 16, 2008

uma tarde...


Sentou-se com os pés para o lado de fora do pontão. Ao longe tentava vislumbrar algo ainda indefinido. Não sabia muito bem como ali tinha ido parar. Um acaso do destino, se é que existe tal coisa? Apenas se lembrava de momentos há muito passados, e tentava definir como tudo tinha passado tão rápido. Ultimamente era recorrente uma viagem vindo da praia apenas com o seu pai, vir-lhe à memória. O calor a entrar pelas janelas do pequeno carro amarelo enquanto atravessavam a ponte. o seu pai seguríssimo ao volante de um carro que na altura era o melhor do mundo. Pai e filho em perfeita sintonia. Na praia o pai ajudou-o a cavar um buraco que por pouco não chegava à China. Era isso que lhe tinha dito, e ele confiava cegamente! O pai nunca o enganava e nunca lhe mentia! a caminho de casa passaram pelo mercado. O pai ia fazer o almoço, era o melhor cozinheiro do mundo... menos quando fazia as iscas que ele detestava... Mas daquela vez ia ser um petisco que ele adorava!
Tinham saído mais cedo da praia, para poderem chegar a tempo de ver o jogo na televisão. Não que ele gostasse muito de futebol, mas era só ele e o pai. Sentia-se importante por partilhar aquele dia com ele. Um dia como tantos outros mas que incrivelmente, hoje, passados quase 30 anos lhe vinha tão vivamente à memória.
As gotas de água da espuma das ondas que rebentavam debaixo dele pareciam querer roubá-lo àquele dia de verão que ficava cada vez mais para trás.
Sentado na beira do pontão continuava a olhar o horizonte. Pensava como lhe tinha sabido tão bem aquela tarde que parecia ontem, e perdia-se na imensidão daquele mar azul que por vezes parecia ter todas as respostas guardadas e que ele hoje simplesmente não conseguia ver...

Quarta-feira, Janeiro 30, 2008

Haiku

Prefiro a solidão aos laços medíocres

Segunda-feira, Dezembro 31, 2007

Outro ano

Chateiam-me as sms... que aborrecido...

Bom 2008!!

Terça-feira, Dezembro 18, 2007

Xmas

Este ano há qualquer coisa de diferente no Natal em Lisboa. Faltaram as luzes na praça do rossio. Está tristonha. Vai ter um Natal de Dickens, com meninos descalços, sujos de carvão e sem luzes.
Nesta altura do ano, invadem-me inúmeros sentimentos, mas acima de tudo recordo sempre os natais passados. A nostalgia julgo ser o maior desses sentimentos. Relembro prendas que me fizeram iluminar os olhos de alegria. Na altura em que não se sonhava com telemóveis, lembro-me de um conjunto de walkie-talkies, brancos e pretos, com os botões laranja, uma coisa muito Buck Rogers, mas que me ia permitir falar com o mundo e quem sabe com quem o quisesse visitar. A imaginação era fértil, e na altura quando ocasionalmente apanhava a frequência da RádioTaxis era um sonho que se realizava. "Eles andavam por ali". E ao mesmo tempo ficava a frustração de não ter tido na altura, ninguém que me falasse pelo outro aparelho que compunha o par. Mas apesar de tudo era mágico, foi mágico chegar à chaminé e ter esta prenda que me ligou ao mundo e que me deu tantas e tantas horas de sonhos acordados...
O que desejo... Um feliz Natal! Com prendas que iluminem os olhos, e que encontrem o par para brincar com elas :)

Merry Xmas

Segunda-feira, Dezembro 03, 2007

Vertigem

Foi num turpor que se viu envolvido. Um estado de letargia tal que nem sentia se estava em pé ou deitado... uma vertigem... de repente sentiu-se invadido pela mais profunda escuridão. Silêncio. Vazio. Uma suspensão de breves instantes. E de novo a vertigem.. uma quase ausência de gravidade. O mundo girava de pernas para o ar, e dentro de si tinha perdido a noção do que era direito ou esquerdo, cima ou baixo... E de repente a acalmia... ainda alguma falta de coordenação nas pernas... mas felizmente tinha acabado a volta na montanha russa.... "Nunca mais..."

Quinta-feira, Novembro 15, 2007

sem título

Final de ano. Mais um que está praticamente a acabar. Altura de balanços e recolhimento, novas decisões, um novo ciclo.
Tudo parece avançar a uma velocidade cada vez mais vertiginosa. As datas importantes da nossa infância que eram tão desejadas, e que demoravam séculos a chegar, hoje parecem ter motores de Formulas 1 poderosos e passam por nós a toda a velocidade. Lembro-me quando no início de Novembro o Natal ainda parecia tão distante que nem sequer lhe conseguia-mos sentir o cheiro. E mesmo na própria noite aquelas quatro horas, desde o jantar até à altura de abrir as prendas, pareciam quatro dias de tanto que custavam a passar.
Mas como é óbvio as prioridades mudam, as coisas que antigamente nos faziam morrer de desejo, hoje não são mais do que apenas uma boa recordação.

Mas... vinha só deixar uma música, que me apareceu de repente... esta - http://www.youtube.com/watch?v=DPKeh5ogXqA

Quarta-feira, Outubro 24, 2007

Tudo está bem no reino da Dinamarca...




Pela primeira vez na vida, sei o que é andar numa rua onde toda a gente é parecida comigo... mesmo tom de cabelo de pele de olhos... que sensação estranha. Parece que vim ver a "família".


É curioso, mas aqui não olham para mim como um "estrangeiro", embora não perceba nada quando falam comigo...


Segunda-feira, Outubro 22, 2007

Flores de aço

A notícia gelou-lhe o sangue. A chuva batia no pára-brisas num ritmo hipnotizante, derretendo toda a paisagem numa mancha escura e sem forma. A fila de trânsito aumentava atrás do carro, e no meio do barulho das buzinas perdeu-se em pensamentos distantes.
De repente era novamente verão, mas há muitos anos atrás. Ele tinha-se levantado pela primeira vez sozinho, sem qualquer ajuda. Ao longe na outra sala ela chamava por ele, incentivando-o com aquele sorriso que ele conhecia desde o primeiro segundo de vida. Ganhou coragem e andou, cambaleante, a medo, mas com a certeza que as mãos dela iam lá estar sempre para o amparar. Como sempre estiveram.
Naquela tarde as mãos perderam um pouco da sua força, e ele que sempre as tinha sentido a apoiar, teve medo que elas pudessem de repente deixar de estar ali. Percebeu que há coisas inevitáveis na vida, por mais que não se queira. Por mais força que se tenha. Por mais vontade que exista.
O mundo dele desabou, e de repente sentiu que podia cair se tropeçasse.

Domingo, Outubro 21, 2007

De noite

De noite nada se percebe, tudo se confunde. De noite perco o sentido de tudo o que poderá ser... tudo se difunde, tudo se mescla sem sentido...
De noite, onde teima despontar o dia....